Arte, Intuição E Design: A Minha Trajetória
Arte, intuição e design: a minha trajetória
Eu sou a Lu Gibaile, designer de interiores. Trabalho com design há mais de 30 anos, e essa sempre foi a minha paixão — desde muito antes de eu entender que isso poderia se tornar uma profissão.
Lembro claramente de quando tinha cerca de 10 anos. Meus pais estavam construindo a casa e, enquanto a obra acontecia, eu já projetava o meu quarto. Desenhei armários, pensei na organização, imaginei o espaço. Não havia nenhum conhecimento técnico ali. Era pura intuição. E, olhando hoje, percebo como aquele momento já dizia muito sobre quem eu me tornaria.
A arte como fio condutor
A arte e o design sempre estiveram profundamente presentes na minha vida. Fui bailarina até os 24 anos, pinto, experimento diferentes linguagens e sigo curiosa por tudo o que envolve criação. Sempre me senti conectada tanto à chamada arte erudita quanto à arte popular.
Acredito que a arte revela a essência das pessoas. Ela é uma manifestação cultural e individual. Quando observamos um artesanato, por exemplo, estamos entrando em contato com a cultura de um povo — algo que é transmitido de geração em geração, de pai para filho, carregando histórias, saberes e identidade.
Quando falamos de uma arte mais elaborada, além da cultura, entram também questões sociais, econômicas e, principalmente, a visão única de quem cria. Muitas obras nascem de momentos intensos, de celebrações ou de conflitos, e carregam emoções que ultrapassam qualquer explicação racional.
A emoção que antecede a explicação
A primeira vez que vi Guernica, de Picasso, me arrepiei. Não foi preciso nenhuma contextualização teórica. A dor, a tensão e o impacto daquele momento estavam ali, evidentes. A arte tem essa potência: ela nos atravessa antes mesmo de ser compreendida.
Gosto muito de uma frase do terapeuta italiano Antonio Meneghetti, que diz que a arte faz o inconsciente despertar. Essa ideia sempre fez muito sentido para mim.
Design como expressão humana
Eu acredito que o nosso trabalho também é arte. Quando interpreto a visão de um cliente, não estou apenas organizando espaços ou escolhendo materiais — estou criando algo para alguém. Estou traduzindo histórias, desejos, memórias e necessidades em forma de ambiente.
Esse olhar mais amplo, que considera a globalidade da pessoa, faz toda a diferença no meu processo criativo. É quando consigo enxergar o todo — e não apenas a estética — que o projeto ganha verdade, profundidade e significado.
Para mim, design é isso: intuição, sensibilidade, arte e humanidade caminhando juntas.



